ESTRADA DE FERRO RIO D'OURO



ESTRADA DE FERRO RIO D'OURO, GARANTIA DE ÁGUA PARA O RIO DE JANEIRO (Colunas 163 e 164)





A Estrada de Ferro Rio D'Ouro começou a ser construída em 1876, para o transporte dos tubos de ferro e demais materiais, que completaram as obras de construção das redes de abastecimento d'água, asseguradas por um contrato assinado e dirigido pelo Dr. Paulo de Frontin, obrigando-a fornecer o precioso líquido no prazo de seis dias à Cidade do Rio de Janeiro. Somente em 1883, em caráter provisório, começaram a circular os primeiros trens de passageiros que partiam do Caju em direção à represa Rio D'Ouro. A Baixada Fluminense seria mais tarde dividida em três sub-ramais: Ramal de São Pedro, hoje Jaceruba; ramal de Tinguá, que se iniciava em Cava (Estação José Bulhões); e o ramal de Xerém, partindo do Brejo, hoje Belford Roxo.Em 1896, época que os trens de passageiros passaram a circular com melhor regularidade partindo do Caju, atravessavam a rua Bela, Benfica etc. até passar por Irajá em direção à Pavuna. Nesta estação, última parada antes de adentrar a Baixada, vê-se o antigo canal onde ficava o porto rodeado de trapiches outrora pertencentes ao Comendador Tavares Guerra. Próximo a ele, uma estátua em ferro de mulher oferecia água aos passantes por uma cornucópia, chamada de "Bica da mulata".




Nas terras de Meriti, os trilhos foram assentados sobre a antiga "Estrada da Polícia", que partindo da Pavuna, iam encontrar-se com as terras de "Iguassú", em continuação à estrada que, vindo da Corte, finalizava no Rio Preto. A próxima estação é Vila Rosaly, que substituiu a "Parada Alcântara", e homenageou a esposa do Dr. Rubens Farrula, iniciativa da Empresa Territorial Lar Econômico, loteando as terras denominadas "Morro da Botica" ou dos "Barbados", em referência aos pastores israelitas que residiam próximo ao cemitério dessa comunidade e usavam barbas longas.




Coelho da Rocha - recebeu o nome do proprietário dessas terras, Manoel José Coelho da Rocha, que as cedeu para a passagem dos trilhos e colocação dos dutos, lutando posteriormente para sua transformação em transporte de passageiros. Seu neto Almerindo Coelho da Rocha, herdeiro do que sobrou da antiga fazenda criada por Cristóvão Mendes Leitão em 1739, desfez-se dela, vendendo-a para loteamento.




Belford Roxo - Antiga fazenda do Brejo e anteriormente, Calhamaço, lembrando o antigo canal do calhamaço aberto pelo Visconde de Barbacena (seu antigo proprietário), e que formava um braço do Rio Sarapuy. Sua estação recebeu este nome em homenagem a Raimundo Teixeira Belford Roxo, chefe da 1ª divisão da inspetoria de águas. Havia em frente a esta estação um artístico chafariz de ferro jorrando água, que o povo denominou de "Bica da Mulata", cuja figura mitológica de uma mulher branca sobraçando uma cornucópia oferecia aos passantes o líquido precioso, que a oxidação do ferro transformou em "mulata". Cópia da estátua existente na Pavuna.




Areia Branca - Como o nome sugere esta parada era cercada de extenso areal.




Heliópolis - Hélios = sol; polis = cidade, ou cidade do sol. Denominação de uma antiga cidade do Egito cujos habitantes adoravam o Deus Rá.




Itaipu - Ita = pedra; ipú = onde a água faz ruído, do Tupi-guarani, onde a água estronda.




Retiro - Nome do rio que esta ferrovia transpunha (Atual: Miguel Couto).


Figueira - Nome do proprietário das terras em que foram assentados os trilhos.




José Bulhões - Também proprietário da localidade pertencente à povoação de Cava, início de outro ramal com destino a Tinguá.




Cachoeira - Em suas terras corriam volumosas águas que desciam da Serra do Comércio, compostas dos rios Sabino e Boa Vista, servindo às adutoras do São Pedro.




Paineira - Homenageia uma árvore abundante no Sudeste, da família das malváceas (Atual: Adrianópolis).




Rio do Ouro - Faz jus ao rio do mesmo nome que corre pouco além de sua estação.




Santo Antônio - Neste trecho, a linha atravessava as terras da fazenda da Limeira, pertencentes à Finnie, Irmãos & Cia., e corria sobre três pontilhões.




Saudade - Parada que assimilou o nome de antiga fazenda da região ainda dos tempos das sesmarias, pertencente a uma família portuguesa.




São Pedro - Era o ponto final da linha deste ramal situada na base da serra do Couto. Os trilhos, porém, prosseguiam para o caso de manutenção até atravessarem os córregos Maria da Penha, Jequitibá e o Rio São Pedro, chegando à casa do administrador, limites do morgadio de Matto Grosso e nas vizinhanças das terras do Marquês de São João Marcos, Pedro Dias Paes Leme, descendente de Fernão Dias, o caçador de esmeraldas (Atual: Jaceruba).




Sub-ramal do Tinguá:




José Bulhões - Início dos trilhos que partiam em direção Norte em busca da raiz da serra do Tinguá.




São Bernardino - Situada em terras da fazenda São Bernardino, pertencente a Jacintho Manoel de Souza e Mello, um dos opulentos comerciantes da Vila de Iguassú, com a firma Soares & Mello, onde se vê sua bela casa assobradada em uma elevação do terreno e sinalizada por um caminho que, partindo da estação e ladeado por uma alameda de palmeiras imperiais, ia terminar à entrada principal deste palacete.




Iguassú - Sinalizava a região da antiga Vila de Iguassú. Com uma estrada perpendicular à linha, encontrar-se-ia esta antiga sede do Município e um dos portos fluviais mais notáveis da então Província do Rio de Janeiro.




Barreira - Próximo a esta parada, os trilhos cortam um morro argiloso, justificando seu nome. Aqui foram instaladas nos anos 30 as "granjas da Conceição" que dividiram uma área de 200 alqueires em lotes para chácaras e sítios.




Tinguá - Fim de linha na velha estação de passageiros. Situada à margem esquerda da serra velha, entretanto, seus trilhos continuavam para a direita na extensão de 6 km, até a represa do Bacuburú.

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Sub-ramal do Mantiquira :




Belford Roxo - Partindo desta estação em direção Nordeste, a linha transpõe o Rio Botas e atinge a garganta do Manuel Ignácio, cujo nome se refere a Manoel Ignácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho, Márquez de Itanhaém, senhor do morgadio de Matto Grosso, cujas terras pertenceram ao Brigadeiro Francisco de Paula de Bulhões Sayão. Assim como a Fazenda Monte Alegre, que entre seus herdeiros, contava com D. Alice Sayão, casada com o Dr. João de Carvalho Araújo, que viria a ser diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil.




Aurora - Nome também de uma velha fazenda que existiu na região, cortada pelos Rios Sayão, Botas e o Rio Baby.




Baby - Nome da parada, herdado do rio que era atravessado um pouco antes.




Parada 43 - Era antiga posição quilométrica da parada a contar do Caju (42.408m).




Lamarão - Do radical de "lama", significa a lagoa formada pelas chuvas nas depressões do terreno.




Mantiquira ou Mantiqueira - Antiga "João Pinto". Deu-lhe o nome o rio em cujo vale estende-se a linha que se dirige às represas do Galrão. É a estação de entroncamento da linha do Xerém. Está situada na velha Fazenda da Posse, pertencente à família Pereira de Sampaio. Dos mananciais que abasteciam o Rio de Janeiro é o Mantiquira o que contribuía com maior volume de água.




Galrão - Parada e fim da linha situada na antiga fazenda do Cônego Galrão, comprada pelo Governo em 1886 ao seu então proprietário Manuel Ubelhart Lengruber.




Mantiquira a João Pinto - Outro ramal partindo da Mantiquira tomava rumo Norte e passava por Piedade. Pequena parada, após transpor 8 bueiros até chegar em Xerém.




Xerém - Situada na povoação que constituiu a sede do 6º distrito do Pilar, no Município de Nova Iguaçu, tem seu nome originado no antigo proprietário dessas terras, o inglês John Charing, que desde 1725, estava ocupado em alugar barcos para transporte, através do Rio do Couto (ou Pilar), na passagem do Caminho do Ouro. Convivendo com escravos e pessoas de pouca instrução, teve seu nome modificado para Cherem e, posteriormente, definindo sua corruptela em Xerém.




João Pinto - Final da linha deste sub-ramal junto à represa para a captação das águas do rio do mesmo nome.




Registro - este sub-ramal partia de Xerém em direção às represas do Covã, Itapicú, Paraíso, Alfa e Perpétua.




(Guilherme Peres, historiador e pesquisador do Instituto de Pesquisas e Análises Históricas e de Ciências Sociais da Baixada Fluminense-IPAHB)






Bibliografia:


BARROS, Ney Alberto Gonçalves, "Estrada de Ferro Rio D'Ouro", Apostila, 1999, RJ;


SANTOS, Noronha, "Meios de transporte no Rio de Janeiro", Biblioteca Carioca,1996, RJ;


VASCONCELOS, Max, "Vias Brasileiras de Comunicação", Imprensa Nacional, 1935, RJ.




(Publicada em "O MUNICIPAL", Edição Nº 9064, de 14 A 28-04-2006, pg. 5. CONCEPÇÃO: ALBERTO MARQUES E JOSUÉ CARDOSO)

2 comentários:

Tadeu Santos disse...

Prezado Senhor,

meu nome á André Tadeu dos Santos (47) e tenho profundo interesse nas histórias relativas à Baixada Fluminense, a importância na construção deste imenso País, estradas ferroviárias rodoviária, portos, hidrografia, igrejas, tudo enfim. Sempre pesquiso em sites histórias e cada vez mais fico surpreso com o fato de um passado tão importante e um presente de tamanho abandono. No caso das ferrovias, há um pesquisar de São Paulo que relata e apresenta com fotos da época e (algumas, visto há raridade) e muitas atuais das estações e paradas que existiam. Teria imenso prazer ser pudesse ajuda-lo na construção do blog, site ou pesquisa, relativa a história da Baixada Fluminense. Meu telefone é 99222.1115 991424942 (claro) 98171.4006 (tim) 97181.8304 (vivo) meu e-mail ajybbru@gmail.com Abraços. André Tadeu dos Santos

Valdir disse...

Fico Feliz por encontrar pessoas com esse pensamento de volar ao passado e ver as maravilhas que foram deixadas e que infelizmente as gerações posteriores não deram e nem dão o devido valor.

Com isso a nossa história tão rica está se acabando dia após dia e as autoridades nada fazem.

Pessoas com esse pensamento tem que trocar mais idéias e procurar sempre novas informações.