O BARÃO DE TINGUÁ - CONCESSÃO DO TÍTULO

DOM PEDRO II por Graça de Deus e Unanime Acclamação dos Povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brazil: Faço saber aos que esta Minha carta de Brazão de Armas de Nobreza e Fidalguia virem que Francisco Pinto Duarte, natural da fraguezia de Nossa Senhora da Piedade de Iguasú, depois Villa do mesmo nome, nascido em 8 de Janeiro de 1821, filho legítimo de Joaquim Pinto Duarte, antigo e honrado negociante, e de Dona Mathilde Rosa da Paixão, já fallecidos. Foi Sub-delegado de Policia do Termo, o que ainda serve; dous quatriennios de vereador e dous de Presidente da Câmara Municipal, Cargo que pela terceira vez, actualmente exerce e sempre Eleitor de Parochia. - Em Fevereiro de 1856 foi nomeado Capitão de Cavallaria da Guarda Nacional, em 27 de Junho de 1868 foi nomeado Cavalleiro da Ordem de Christo; em 13 de Maio de 1871 foi promovido a Tenente Coronel, Chefe do Estado Maior do Commando Superior em cuja patente sérvio por muito tempo de Commandante Superior Interino; em 30 de Outubro de 1882 foi depois de mais de 25 annos de bons serviços reformado, a seu pedido, no posto de Coronel. Em todos estes Cargos prestou relevantes serviços, com os quaes se fez digno da estima publica. A mais de 13 annos que serve de Agente consular de Portugal n´este Município, tendo prestado toda a dedicação em bem cumprir a confiança que lhe tem sido depositada. Prestou também relevantes serviços por occasião da guerra do Paraguay já angariando, sem poupar-se a sacrifícios pessoaes e pecuniários, Voluntários da Pátria, cuja remessa fez acompanhada do donativo de um conto de reis para ajudar as despezas dos mesmos Voluntários na viagem até o Paraguay, e já sendo um dos fundadores da Sociedade popular Iguassuana, e membro de Directorio da mesma Sociedade em cujo caracter, contribuio ainda com o donativo de dous contos de reis em auxilio do Governo nas despezas da mesma Guerra, e mais tarde contribuio com o donativo para o Asylo dos inválidos da Pátria, tendo antes de tudo isto concorrido para a compra de um navio da questão Christi. Foi para o recenceamento de sua Freguezia , nomeado Presidente da respectiva Commissão, Cargo, que exerceu dignamente o Barão de Tinguá, por Decreto de 27 de Janeiro de 1883. - Desejando guardar a memoria de seus honrosos Títulos, vinha Pedir-Me que lhe concedese o uso de um Brazão de Armas, cujo modelo elle apresentou, illuminado com cores e metaes e Annuindo Eu a sua supplica, Hei por bem Outorgar-lhe o uso das mencionadas Armas, e Mando ao Meu Principal Rei d´Armas que pelo respectivo Escrivão, faça exarar o Escudo e Armas, segundo o modelo apresentado, ficando lançados no Livro de Registro d´elles, para serem transmittidos aos seus vindouros , quando o requererem e forem por Mim novamente Concedidos, a saber: - Escudo partido em barra, no primeiro de vermelho com o emblema de agricultura , no segundo de prata azulado, uma cascata e o pico do Tinguá, a sua cor natural. - Coroa de Barão, com um timbre que é uma flor de Liz de ouro, paquifes das cores e metaes do Escudo. - O qual Escudo e Armas poderá trazer tão somente o dito Barão do Tinguá e d´elles poderá usar e gozar em tudo, e por tudo, quer em tempo de paz, quer em tempo de guerra, e bem assim os poderá trazer em seus firmaes, anneis, sinetes e divisas, pol-os em suas casas, capellas e mais edifícios e finalmente, deixal-os sobre sua própria sepultura; pelo que Quero e Sou Servido que haja elle e seus descendentes todas as honras, privilégios, isenções, liberdades, graças mercês e franquezas que devem ter os Fidalgos e Nobres, nunca podendo seus sucessores usar d´este Brazão sem que a cada um d´elles seja novamente por Mim Confirmado. Mando portanto aos Meus Ministros, Dezembargadores, Auditores, Promotores, Juizes de Direito do Cível e Crime e a todas as Autoridades Judiciárias do Império, e com especialidade aos Meus Reis de Armas, Arautos e Pasavantes e a quaes quer Officiais e mais Pessoas a quem esta Minha Carta for mostrada e o conhecimento d´ella pertencer, que em tudo lh´a cumprão e a facão inteiramente cumprir e guardar como n´ella se contem, sem duvida ou embargo que n´ella se queira por, visto ser assim Minha Mercê.

O Imperador Constitucional e Defensor Perpetuo do Brazil, o Mandou por Officio da Terceira Directoria da Secretaria de Estado dos Negócios so Império, sob numero três mil centos e oito, datada vinte e três de Julho do corrente anno a Manuel dos Santos Caramona, Seu Principal Rei d´Armas, Ernesto Aleixo Boulanger, Escrivão dos Brazões e Armas da Nobreza e Fidalguia do Império, a fez escrever n´esta Muito Leal e Heróica Corte e Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro aos doze dias do mez de Dezembro do Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e oitenta e três. E eu Ernesto Aleixo Boulanger a fiz escrever e subescrevi.



Brasão de Armas: Escudo partido em contrabanda: na primeira em campo vermelho, um arado, uma, foice uma enxada ,um ancinho, uma pá e uma espiga de trigo; na Segunda, uma paisagem, vendo-se no primeiro plano um campo de sua cor e ao fundo sob um céu azul um grupo de montanhas.

3 comentários:

Darville Lizis disse...

Eis um BLOG maravilhoso e relevante para a história de nossa tão querida Iguassú.
Parabéns e peço que continue a deliciar nossas memórias com as postagens.
Abraços grandes

rafamaterazzi disse...

Eu sou tataraneto com muito orgulho do Barão de tingua

rafamaterazzi disse...

Meu avô falecido era Francisco pinto duarte filho
meu tio ainda vivo chama-se Francisco pinto duarte neto