A FREGUESIA DE SANT’ANNA DAS PALMEIRAS



Antônio Lacerda de Meneses



No dia 26 de julho comemora-se na Igreja a Festa de São Joa­quim e Sant'Anna, o culto a estes santos, pais da Virgem Maria é muito antigo, principalmente no Oriente. No ano de 550, o Impe­rador de Roma Justiniano man­dou construir uma capela em honra a Sant'anã em Constan­tinopla (Turquia). Em 1584 foi instituída a festividade de Sant'Anna e escolhido seu dia, por bula do Papa Gregório XIII. Na ocasião foi escolhido o dia 20 de março para São Joaquim, anos depois mudado para 16 de agosto. Somente em 1913 foi que São Joaquim passou a ser co­memorado no dia 26 de julho juntamente com sua esposa. No Brasil Sant'Anna mereceu o título que só é reservado a sua filha, ou seja, Senhora. Na tradição passou a ser a protetora das mulheres casadas, principalmente as grá­vidas.
A devoção a Sant'Anna na região de Iguassú é muito antiga. Consultando antigos mapas no Arquivo -Diocesano podemos constatar capelas e acidentes geográficos com o nome de Sant'Anna desde o século XVIII na região, contudo, a história da devoção de Sant'Anna das Pal­meiras remonta ao povoado de Sant'Anna da Serra do Comércio - é a mesma serra do Tinguá, só que devido a Estrada do Comércio neste trecho, recebeu o nome de Serra do Comércio - está localizada à margem desta importante estrada, próxima de onde hoje é a área da Reserva Biológica do Tinguá. A Estrada do Co­mércio concluída em 1822 começava na Freguesia de N. Sra da Piedade do Iguas­sú e terminava no porto de Ubá no rio Paraíba, daí inter­ligava a Minas Gerais. Anos mais tarde cou­be ao engenheiro mi­litar Conrado Jacob Niemeyer o calça­mento e a manu­tenção desta estrada na sua primeira seção. O engenheiro Nie­meyer se encantou com a região e com a família trocou a Corte (capital do Império) por Tinguá. Em Iguassú no alto da serra, em 1842 nasceu Conrado Jacob Niemeyer (neto) também engenheiro, fundador do Clube de Engenharia, construtor da Avenida Niemeyer e da igreja de São Conrado, atual bairro do Rio com mesmo nome. O enge­nheiro falecido no Rio em 1919 tem como um de seus descendentes o grande arquiteto Oscar Nie­meyer.
A estrada reativou o comércio "serra acima" e o movimento nos portos do rio Iguassú. Mer­cadorias para o consumo da Corte e o café para o mercado estran­geiro eram transportados por tro­peiros. O povoado de Sant'Anna crescia devido ao intenso mo­vimento na estrada. Em 1854 já contava com cerca de dois mil moradores e mais de duzentas casas. Neste mesmo ano, os mo­radores em longo memorial soli­citam ao Presidente da Província (Governador do Estado) a ele­vação à paróquia do povoado de Sant’Anna a majestosa igreja recém construída pelo Barão de Paty do Alferes. Francisco Pei­xoto de Lacerda de Werneck.
Em 6 de outubro de 1855 é criada a Freguesia (distrito) de Sant’Anna das Palmeiras. Sua igreja é elevada à honra de Pa­róquia. Sant'Anna passa a ser distrito do município de Iguassú. Além da igreja Matriz contava com duas escolas, uma para me­ninos e outra para meninas, agên­cia postal, delegacia, cemitério, várias fazendas de café e um pu­jante comércio. Crescia assim a afamada Freguesia de Sant’Anna das Palmeiras e já era apontada como uma segunda Petrópolis, devido a sua localização serrana e clima ameno. Porém a chegada da Estrada de Ferro em 1858, li­gando a Corte a Queimados e anos mais tarde chegando a Mi­nas Gerais, fez com que a Estrada do Comércio fosse gradativa-mente abandonada. Junta-se a isso a abertura da Estrada Rodeio (Eng° Paulo de Frontin) - Paty do Alferes que tirou o prestígio co­mercial de Palmeiras. A Freguesia de Sant'Anna das Palmeiras é abalada economicamente e para de receber investimentos.
Em março de 1889 era anotado no livro de ata da Câmara de Iguassú que ninguém mais residia em Sant'Anna. Consul­tando outras fontes, vimos que isso não correspondia a reali­dade. Acreditamos que a Câmara tinha interesse de aplicar verbas em outras localidades ou em outro fim, daí antecipa o desa­parecimento da Freguesia. É bem verdade, que passados alguns anos, a região é despovoada.A bonita igreja é fechada, tudo é tristeza e melancolia em Sant'Anna das Palmeiras. A his­tórica imagem de Sant'Anna e o sino foram piedosamente levados pelo povo para o emergente po­voado de Conrado e logo foi construída uma nova igreja sole­nemente inaugurada em 1901. Em torno do outeiro da igreja foi crescendo um harmonioso re­canto formado por imigrantes ita­lianos que chegaram para traba­lhar na lavoura do café e comu­nidades negras descendentes de _ africanos que também traba­lharam no café.

a imagem de Santana, venerada em Conrado, vinda da antiga matriz de Santana das Palmeiras


Visite a Reserva Biológica do Tinguá, em local de acesso proi­bido existem as ruínas da Fre­guesia de Sant'Anna das Palmei­ras "A Machu-Picchu de Iguas­sú". Visite a centenária Igreja de Sant'Anna de Conrado, um dos mais belos exemplares da arqui-tetura religiosa da nossa Dioce­se, aproveite para conhecer o en­cantador distrito de Conrado.


Fonte: Jornal CAMINHANDO, informativo da Diocese de Nova Iguaçu – ano XVIII – n.o 142 – julho/2002 – pg. 14.

Um comentário:

correio disse...

nasci em conrado em 1933 quando se chmava SERTÃO fui batizada nesta igreja onde tenho um carinho muito especial a foto do meu orkut e justamente a da igreja de minha mã SENHORA SANTANA